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quarta-feira, 15 de junho de 2011

CORDEL- A VELHA CASA DE FARINHA

1-Peço a Deus inspiração
Para meu passado narrar
Da velha casa de farinha
Onde eu pude me criar.
Deus me der consentimento
Levarei meu pensamento
Agora naquele lugar.

2-Ainda com oito anos
Com papai eu já andava
Ele com seu caminhão
Pra todo canto me levava.
Quando foi certo dia
Que ainda não sabia
Nessa casa eu chegava.

3-Achei meio estranho
E não quis perguntar
Varias mulheres no chão
Com a mandioca a raspar.
Um forno com farinha assando
E outra ali já peneirando
Para poder ensacar.

4-Depois do saco cheio
Papai vinha costurar
Com uma agulha enorme
Para no saco pontear.
Eu ali observando
E papai me chamando
Para eu lhe ajudar.

5-Quando tudo já pronto
No caminhão agente botava
O carro ia carregado
Que quase não agüentava.
Na feira já estava esperando
O comerciante comprando
E papai ali negociava.

6-Quando não tinha mandioca
Papai saia comigo procurando
Viajando pelo o interior
Onde tinha, ele ia comprando.
Contratava trabalhador
Cada um pedia seu valor
E já ia trabalhando.

7-Quando foi certo dia
Eu vinha com papai viajando
Ele passou no lamaçal
E o carro foi atolando.
Quanto mais ele acelerava
O caminhão se atolava
E papai se irritando.

8-Quando viu que não tinha jeito
O carro, papai irritado desligou.
Andamos quase quatro quilometro
E uma casa ele encontrou.
Um cidadão já acostumado
De tirar carro atolado
E pra lá ele caminhou.

9-O carro cheio de mandioca
Papai muito preocupado
E ainda estava chovendo
Era água pra todo lado.
Duas horas de esforço
Tiramos o carro do poço
Onde estava atolado.

10-Nós voltamos bem rápido
Já que papai estava atrasado
As mulheres todas esperando
E noticias agente não tinha dado.
Foi o caminhão descarregando
E cada mulher se preparando
E o forno já tinha esquentado.

11-Foi uma noite de agonia
A mulher a mandioca raspava
Uma botava na prensa
A outra logo já apertava.
Outra danada peneirando
E o forno esquentado
E pela massa esperava.

12-Para aproveitar a noite
Papai dizia:- Não sou idiota
Vou preparar aqui a goma
Pra fazer uma tapioca.
Beiju também ele aprontava
Cuscuz de massa preparava
Da massa da mandioca.


13-Hoje voltei a aquele chão
Onde minha infância passei
Procurei a velha casa de farinha
E nada mais ali eu encontrei.
Os tijolos no chão enterrado
Fiquei nele triste assentado
Confesso aqui que chorei.

14-Termino aqui esse cordel
Porque não consigo mais narrar
Ao pensar na minha infância
Sinto vontade de chorar.
Infância limpa e sadia
Há meu Deus como queria
Se pudesse um dia voltar.

João Pessoa-15 De Junho de 2011

Um comentário:

  1. *Lindo cordel,ao ler sentir saudades de meu pai,e das farinhadas que faziámos puxando roda para servar a mandioca,sua história me lembrou dos velhos tempos de criança,muito feliz...obrigado.

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